Rashōmon, o Filme de Kurosawa, e Rashōmon, o Conto de Akutagawa

Rashōmon, do cineasta japonês Akira Kurosawa (1910 – 1998) é dos filmes mais queridos dos fãs de cinema, e com razão. Ele é uma reflexão forte a respeito da complexidade das emoções humanas, abordando desde o amor de uma mulher por seu marido até as motivações que levam um homem a cometer um estupro ou as consequências de atos baseados em sentimentos como ciúmes, ganância e egoísmo.

É baseado no conto 藪の中 Yabu no Naka, de Ryūnosuke Akutagawa (1892 – 1927), por si só um grande autor, mas tem uma pequena mudança sobre a qual vou falar mais embaixo.

A história é a respeito de um crime ocorrido num bosque – um estupro seguido de um assassinato – e sobre como as pessoas envolvidas nele dão versões diferentes do ocorrido.

A parte básica da verdade do crime não muda, em todos os relatos há a menção de um estupro e da morte de um dos envolvidos, mas detalhes importantes como o motivo de um homem ter sido morto são a todo tempo mudados, inclusive pelo próprio morto, que fala através de uma médium miko.

A principal diferença do filme para o conto é que, no filme, Kurosawa optou por colocar uma sub-história analisando o crime. Ele colocou três homens se abrigando da chuva dentro do portal Rashōmon e debatendo sobre o aspecto moral e verdadeiro do crime.

O conto de Akutagawa tem apenas os relatos das testemunhas, mas o filme tem essa outra ambientação com os três homens que, à medida que conversam sobre a qual seria a verdade por detrás do crime, refletem sobre as fraquezas do ser humano e se autoanalisam.

O fato de o Kurosawa ter escolhido colocar esses personagens para comentarem os diversos relatos parece dar uma dimensão a mais para história, é possível sentir a decadência que pairava no ar naquela época, que era final do século XII. Através da imagem dos três homens pobres e desiludidos e do portal abandonado, que foi importante no período Heian, e que agora serve de abrigo para de marginais ou como lugar para se abandonar corpos, Kurosawa criou um filme sobre as verdades da sobrevivência com uma estética forte e com uma narrativa bem estrutura. Não é comum vermos filmes assim hoje.

O livro do Akutagawa que contém esse conto pode ser comprado aqui.

Rashomon

 

Lenhador: Egoísta!

Plebeu: Qual é o problema com isso? É assim que a gente é, assim que a gente vive. Você não pode viver ao menos que você seja o que você chama de egoísta.


 

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