Perfil: Hayao Miyazaki e o Início de sua Carreira

Projeto Revista Hayao Miyazaki Filmes Retrato
Tradução e adaptação de artigo de Adam Miller, para o site Axiom Magazine.

Vidas ao Vento (2013) é o último longa-metragem dirigido pela lenda viva Hayao Miyazaki, um homem que empreendeu uma carreira rica, longa e profícua. Famoso pelos seus complexos e envolventes universos animados, nós achamos que seria melhor honrar os trabalhos desse homem incrível olhando para o início da sua carreira.

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Hayao Miyazaki(74) nasceu em Tóquio no dia 5 de janeiro de 1941. Seu pai era presidente da Miyazaki Airplane, uma empresa que confeccionava componentes para os aviões de guerra japoneses. No auge da Segunda Guerra Mundial, em 1944, a família Miyazaki se mudou para Utsunomiya, na província de Tochigi, ao norte de Tóquio, se afastando dos ataques aéreos que estavam devastando Tóquio e ficando mais próximos da sede da empresa de seu pai. Mesmo muito novo, é aparente que Miyazaki já estava imerso em inspiração porque vôo e máquinas voadoras são um elemento importante nos seus filmes.

Depois da guerra, enquanto Miyazaki frequentava o ensino fundamental, sua mãe foi diagnosticada com tuberculose espinhal, que a obrigou a ficar na cama de 1947 a 1955. Só foi em 1950 que sua mãe foi liberada do hospital e pôde continuar o tratamento em casa. Novamente, a mãe doente é figura recorrente nos filmes de Miyazaki, da mãe hospitalizada em Meu Vizinho Totoro à longa lista de personagens órfãos que aparecem nos seus filmes.

Desde cedo, Miyazaki sonhava em ser um artista de mangá, inspirado pelo trabalho do maravilhoso Osamu Tezuka. Mas no seu 3º ano do Ensino Médio, em 1958, ele assistiu à “The Tale of the White Serpent”, que foi o primeiro anime longa-metragem totalmente colorido. Desse momento em diante, ele focou em se tornar um animador.

Embora ele tenha ido para a Universidade Gakushuin para estudar Ciências Políticas e Economia, ele era um membro assíduo do “Clube de Pesquisa de Literatura Infantil”, o que fez com que ele continuasse desenhando e interessado em animações. Logo após a sua graduação, ele entrou para a Toei Animation em 1963, onde ele foi contratado como um artista continuísta. Mas logo ele se destacou porque um ano depois ele se tornou o líder do sindicato da sua categoria, e em 1965, ele sugeriu o final para o projeto “Gulliver’s Travels Beyond the Moon”, que substituiu o original.

The-Little-Norse-Prince

Sua primeira grande virada foi em 1968, quando ele trabalhava como animador principal, designer de cenas e concept artist para “Hols: Prince of the Sun”, quando ele trabalhou junto de Iasao Takahata. Os dois viriam a se tornar amigos e uma dupla de trabalho fecunda que os levou a co-criarem em vários projetos maravilhosos e também a fundarem o Estúdio Ghibli. Takahata talvez seja mais conhecido pelo seu longa despretensioso Pompoko e pelo tristíssimo O Túmulo dos Vagalumes.

Em 1971, a dupla saiu da Toei e co-dirigiu uma série de projetos em diversas produtoras, inclusive na produtora de Osamu Tezuka. Mas talvez o projeto da dupla mais memorável dessa época foi a co-direção a série Lupin III para a TMS Entertainment.

A primeira vez que Miyazaki ocuparia o papel de diretor de uma animação viria em 1978, com a adaptação do romance de Alexander Key, The Incredible Tide, que foi adaptado para uma série de TV chamada Future Boy Conan. Embora fosse um programa para crianças, ele tinha muitas das complexidades encontradas em filmes mais maduros de Miyazaki tais como vilões empáticos, pacifismo X agressividade, personagens femininos fortes, a tecnologia como uma ferramenta tanto de suporte quanto limitante e a importância de preservação ecológica. Todos esses temas estavam ausentes de outros programas focados em uma audiência jovem mas, como eles estavam colocados dentro de um mundo brilhante, excitante e convidativo, eles estavam de alguma forma digeríveis num nível subconsciente.

Em 1979, Miyazaki dirigiu seu primeiro longa-metragem, O Castelo de Cagliostro, um filme do Lupin III que retratou esse ladrão sempre confiante agora como machucado, abatido e, em certo momento, vencido. Uma versão bem Miyazaki de Lupin, seu olhar obsessivo em Fumiko foi claramente eliminado, e ter que pedir ajuda à Interpol é algo bem fora do personagem. O filme também tem elementos de vôo e pais ausentes, assim como a tecnologia sendo usada por razões nada corretas (nesse caso, uma impressora de dinheiro).

Nausicaa Hayao Miyazaki Projeto Revista Língua Cultura Japonesa

Durante essa época, ele também voltou a dirigir programas de TV, sendo o de maior destaque o Sherlock Hound da TMS Entertainment. O próximo projeto, entretanto, o levou ao zeitgeist da animação japonesa, um filme que permanece fresco e relevante até hoje, Nausicaa do Vale dos Ventos, de 1984. O filme foi tão popular que permitiu que Miyazaki e Takahata fundassem sua própria produtora, o Studio Ghibli, que tomou forma em 1985.

Desde então, o Studio Ghibli fez 18 longa-metragens, todos variando em conteúdo, narrativa e gênero, mas compostos num estilo imediatamente reconhecível. Vidas ao Vento com certeza não será o último filme do Studio Ghibli, mas será o último filme a ser dirigido por Hayao Miyazaki.