Kensuke Yokogawa: A Visão de um Tatuador Japonês sobre as Diferenças entre o Brasil e o Japão

Tatuagem Japonesa

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Quais são as diferenças culturais entre Brasil e Japão?

Esse é um tema que rende boas conversas. Se um dos interlocutores for japonês, melhor ainda.

Kensuke Yokogawa (33), japonês formado em Economia, veio para o Brasil para estudar tatuagem com um renomado tatuador nipo-brasileiro, há seis anos atrás. Além do amor por tatuagem, Ken traz consigo uma profunda visão de mundo e, principalmente, um grande entusiasmo pela vida em si. Nessa conversa, ele fala sobre seu lado artístico, cultural e humano.

A entrevista foi feita no Estúdio Zero Sen Tattoo, em São Paulo, no dia 20 de maio de 2014.

Por Camila Eleuterio

Re-vista Quem é Ken?

Ken Quem é Ken?! (risos) Eu sou tatuador, vim do Japão. Eu queria aprender tatuagem com um grande tatuador brasileiro. Lá no Japão, para aprender tatuagem é muito difícil. Então, quis vir para cá. Quando eu estava no Japão, eu não trabalhava com tatuagem, eu tinha outro trabalho. Eu era vendedor de móveis porque minha faculdade era muito séria, ninguém tinha tatuagem… Enfim, mas eu tenho interesse em arte desde criança. Quando eu era criança, eu gostava de qualquer arte, mas gostava mais de arquitetura porque meu pai é arquiteto. Eu vi ele trabalhando muitas vezes.

R Você pode falar sobre o significado do seu nome?

Ken Sim. Meu nome é “Kensuke”, que tem dois ideogramas. O primeiro ideograma significa “construir”, foi uma ideia do meu pai porque ele é arquiteto, o outro ideograma é “suke”, que vem do nome do meu bisavô, Tamisuke. O meu sobrenome “Yokogawa” não tem significado específico. E o meu pai se chama Ken Yokogawa.

R Você se formou em Economia, mas decidiu se tornar tatuador. Como isso aconteceu?

A visão de um tatuador japonês sobre as diferenças culturais entre o Japão e o Brasil tatuagem tribal

Ken Desde criança, eu queria desenhar, mas na minha escola não tinha aula de arte, nem na universidade. Eu fui da escola até a faculdade como que automático. Meu último trabalho lá no Japão foi numa empresa de móveis chamada Artflex. Essa empresa estava numa situação ruim, então eles queriam demitir algumas pessoas. Eu pensei que era uma boa hora para eu mudar de vida, então eu pedi para o meu chefe para sair e consegui ganhar algum dinheiro da empresa porque eu saí.

R Isso é uma coisa interessante que acontece no Japão. Lá, se você pede demissão, você ganha dinheiro. Aqui no Brasil, você só ganha se for demitido.

Ken Sim, é verdade. Mas, nessa época, a empresa fez um acordo com os funcionários para que eles pedissem demissão e eles pagariam uma indenização. Eu recebi esse dinheiro, mas ainda não era muito, então eu arrumei um trabalho temporário para vir para cá. E assim, eu cheguei no Brasil,  com 28 anos. Nunca tinha morado em outro país.

R Então, vamos falar sobre o Brasil e o Japão. Você é de Tóquio, uma cidade grandeVocê a acha parecida com São Paulo?

Ken Sim, algumas partes são parecidas. São Paulo tem muita gente, Tóquio também. Nas duas tem muita gente que chega do interior para trabalhar. Mas acho que aqui no Brasil tem mais trânsito. E o metrô lá tem mais linhas, é mais fácil de chegar nos lugares. O transporte lá no Japão é melhor, mais organizado.

R E o metrô fica aberto até que horas lá?

Ken Mais ou menos igual ao Brasil, meia-noite… Mas os ônibus param mais cedo, 23h, 22:30…

R É mesmo? Mas e se tem trabalho que vai até tarde, como em bar ou loja de conveniência?

Ken É, lá também tem trabalho que vai até muito tarde. Mas, geralmente, as pessoas escolhem um trabalho perto da casa delas, sabe? Aqui em São Paulo, muitas pessoas moram longe do trabalho. Mas no Japão, geralmente se escolhe trabalho que fique perto de casa.

A visão de um tatuador japonês sobre as diferenças culturais entre o Japão e o Brasil tatuagem tribal skull

R E as pessoas? O que você acha das pessoas do Brasil e do Japão?

Ken Pessoas? Acho bem diferente, bem diferente mesmo. Totalmente diferente! Aqui no Brasil, as pessoas gostam muito de falar, elas têm um modo agressivo.

R Agressivo?

Ken Agressivo. Por exemplo… Mas isso no bom sentido, ok? Não no sentido negativo. Agressivo no bom sentido. Por exemplo, aqui no Brasil, você faz amigos muito facilmente porque as pessoas são abertas, as pessoas gostam de falar com outras pessoas. Então, eu acho que brasileiro tem mais interesse em relação às outras pessoas. Os japoneses, mais ou menos. Eles têm mais ou menos interesse por outras pessoas. Você entende?

“Aqui no Brasil, você faz amigos muito facilmente porque as pessoas são abertas, as pessoas gostam de falar com outras pessoas. Então, eu acho que brasileiro tem mais interesse em relação às outras pessoas.”

R Mais ou menos. Lá é mais difícil de fazer amizade?

Ken Sim, é mais difícil. Os japoneses são mais fechados.

R Como o japonês faz amizade?

Ken Hum… Os japoneses gostam de conversar com seus amigos. Se um japonês fica amigo de uma pessoa, seu amigo também fica amigo dessa pessoa. No Japão, o amigo introduz um amigo ao amigo. Essa talvez seja a maneira mais rápida de se fazer amigos no Japão. Por exemplo, ir a um bar beber e ficar amigo da pessoa ao lado – acho que é mais raro. Não é que não exista. Mas no Brasil é mais comum.

R E se for pela Internet?

Ken Ah, se for pela Internet, é fácil! (risos) Japonês gosta de Internet, né! Isso é interessante… Eu não sei explicar o motivo, mas… Japonês guarda muita coisa, não fala tudo, não mostra tudo. Isso é desde a época dos samurais, eu acho. O samurai tem cultura de não mostrar muita coisa. Por que ele não mostra muita coisa? Isso é…

A visão de um tatuador japonês sobre as diferenças culturais entre o Japão e o Brasil tatuagem tribal tridente

R Para não se tornar fraco?

Ken Por isso também, mas… O caminho do samurai é muito sério, todo sério. Não tem lado negativo, só mostra o lado bonito. Ele tem vergonha de mostrar o lado ruim, ele acha que é vergonhoso mostrar. Então, os japoneses de hoje ainda têm um pouco disso. Não são abertos.

R E os brasileiros mostram o lado ruim?

Ken Os brasileiros dizem o que pensam de modo sincero. O que sentem, o que não gostam, eles falam. Se sentem algo divertido, eles falam. Não tem relação com o que é bonito ou com o que é feio, apenas comunicam o que realmente pensam. Eu acho isso muito importante, precioso. Os japoneses se importam muito com a imagem que os outros têm deles, com o que pensam deles. Por isso, querem mostrar o lado bonito, se mostrar de modo correto. Por isso, se houver algo que eles não gostam, eles guardam até o limite, e só mostram o lado bonito. Isso é um ponto de diferença muito grande entre Brasil e Japão.

“Os japoneses se importam muito com a imagem que os outros têm deles, com o que pensam deles. Por isso, querem mostrar o lado bonito, se mostrar de modo correto. Por isso, se houver algo que eles não gostam, eles guardam até o limite, e só mostram o lado bonito.”

R Parece uma existência complicada.

Ken Sim, é! É a cultura. Eu acho que qualquer cultura é um saco, entende? É pesado.

R Entendo. Porque é uma cultura que vem dos pais, que vem dos pais dos pais, e depois é difícil de quebrar e dizer: Não, eu quero fazer diferente, eu quero ser diferente.

Ken Sim, sim. É um pouco difícil. Mas… não é um problema. Não é um problema, só é difícil. (pausa) O sistema de valores do japonês e o sistema de valores do brasileiro em relação à vida é totalmente diferente, eu acredito. Eu acho que para o brasileiro o mais importante é como viver bem a vida. Para ele, a família é preciosa. O tempo que ele passa com a família e o tempo para si mesmo é importante. Bom, dinheiro e trabalho também são importantes. Existe uma hierarquia de prioridades. Essa hierarquia de valores é diferente da do Japão. Para o japonês, quando se pensa no que é mais importante em relação à vida, o trabalho está em primeiro lugar. O trabalho é o mais importante. Então, vem dinheiro, o dinheiro para viver. E família e o tempo para si mesmo estão abaixo disso. Para o brasileiro, família e o tempo para si estão em lugares mais altos na lista de prioridades. Para o japonês, essas coisas estão em lugares mais baixos, priorizando o trabalho. Isso é talvez o ponto mais diferente entre essas culturas.

R E o que você pensa disso, Ken?

Ken Minha opinião? (risos) Para ser sincero, acho esse sistema de valores do japonês um pouco estranho. Isso de fazer trabalho e dinheiro importantes deixam o Japão complicado. Por isso, eu acho que os brasileiros pensam verdadeiramente em valorizar a vida, pensam em como ter uma vida prazerosa, pensam em como ter um tempo agradável e divertido. Eles pensam nisso em primeiro lugar, não é? Eu gosto dessa forma.

A visão de um tatuador japonês sobre as diferenças culturais entre o Japão e o Brasil 1

R Você acha que mesmo as pessoas da cidade São Paulo buscam as belezas da vida?

Ken Se comparar com o Japão, com certeza. Mas, olha, por exemplo, São Paulo tem a questão do dinheiro, da economia, tem uma grande hierarquia, não é? Tem gente muito rica, tem a classe média e tem gente que tem muito pouco dinheiro. Esses três estão divididos de forma clara no Brasil. Por isso, as pessoas do topo, porque têm tudo, podem focar em como viver uma boa vida. Porém, as pessoas na base da pirâmide só podem se preocupar com a dureza da sobrevivência, então para eles dinheiro e trabalho com certeza se tornam importantes. Então, eu acho que, dentro dessa hierarquia de três classes, a forma de pensar é diferente. No Japão também tem hierarquia, mas no Brasil é mais definida. Você logo percebe quem é de classe média, quem é rico, quem é pobre.

R Você já foi a alguma favela?

Ken Já fui perto.

R Às vezes, olho as pessoas das favelas e acho elas mais felizes.

Ken Isso também existe. Realmente parece que é isso. As pessoas que não têm nenhum dinheiro e as pessoas que têm muito dinheiro na verdade sabem viver uma vida divertida, eu acho. Eles riem, né. Eles riem bastante, as pessoas dessas duas classes. Que as pessoas ricas riam, é óbvio. Mas as pessoas que não têm dinheiro também riam bastante – acho isso maravilhoso.

R Já a classe média está numa situação difícil

Ken Sim, eu também ouvi falar nisso, que a classe média tem muito problema.

R Existem diferenças entre o modo de homens e mulheres japoneses se relacionam e o modo como homens e mulheres brasileiros se relacionam?

Ken Acho que é diferente, mas é difícil de falar porque eu não namorei muitas vezes aqui no Brasil (risos). Não tenho muita experiência nisso. Mas o brasileiro pensa diferente do japonês. Isso é verdade. Por causa da cultura e da história de cada país, muita coisa é diferente. Então, as idéias e a imaginação também são. Como o japonês namora, como faz amizade, também é diferente. Por exemplo, no Japão não tem a expressões “amizade colorida” nem “ficar”. No Brasil tem, então já mostra como é diferente.

R No Japão as pessoas não ficam?

Ken Hum… Algumas pessoas fazem isso, mas não tem essa cultura, nem tem palavra para isso. A única palavra para isso é “sexfriend”, que é uma palavra inglesa.

R E as mulheres, você acha que as brasileiras são diferentes das japonesas?

Ken Sim, são diferentes. Primeiro, o corpo é diferente (risos). Hum… Ambas têm interesse em beleza, mas as japonesas têm mais informação sobre isso. Brasileiras gostam de beleza e têm interesse também, mas o que é diferente é a informação. Por exemplo, nail art. Agora no Brasil, tem mais variedade de manicure, mas no Japão tem muito mais. Japão também tem mais história em relação à beleza. Mas eu respeito o jeito brasileiro também.

R E o caráter, o coração da mulher, é diferente?

Ken Sim… Bom, os países são diferentes. Então, com certeza, tem algo diferente. Não consigo explicar direito e isso também varia de acordo com a pessoa.

R E as mulheres japonesas sabem fazer várias coisas muito bem. Cozinham muito bem, entendem de arte, parecem ter uma educação mais profunda.

Ken Sim, é verdade. O japonês, a japonesa faz até o limite. Qualquer coisa, ele faz até o limite.

“O japonês, a japonesa faz até o limite. Qualquer coisa, ele faz até o limite.”

R Como assim?

Ken Até o limite para atingir a perfeição. Japonês sempre gosta de mostrar um resultado perfeito. Então, ele vai tentar até o limite dele.

R Entendi. Bem legal isso.

Ken É, essa é a parte boa, parte muito boa (risos).

R Mas, por exemplo, os maridos japoneses quase não vêem as esposas. Depois do trabalho, vão para o bar.

Ken Sim. Mas em algumas famílias, os dois trabalham. Marido e esposa trabalham. Mas geralmente, só o marido trabalha muito, então volta para casa muito tarde, à noite. Então, acho muito difícil de convidar para sair, de jantar fora com a esposa… Acho que isso é um problema muito grave entre os casados. Se a esposa fica só em casa, fica triste. As esposas funcionam para a vida. Entendeu?

R Não.

Ken Por exemplo, geralmente, o marido trabalha muito. Então sempre pensa no trabalho como a vida dele. Essa é a primeira idéia dele. As esposas, não. As esposas querem uma vida bonita, uma vida agradável. Então, elas tentam melhorar a vida. Então, muitos amigos meus já se separaram. Se casaram, mas já se separaram.

R Por que você acha que eles se separaram?

Ken Cada um teve um problema diferente. Mas acho que eles não combinavam, não conseguiram combinar. É um problema.

R É comum ver pessoas solteiras no Japão?

Ken Homens e mulheres solteiros são bem comuns agora. Lá no Japão, não tem muita criança também, não tem tanto jovem. Tem mais geração mais velha do que geração nova porque as famílias não fazem mais filhos e isso é um problema dos solteiros também.

R E o que você acha disso?

Ken Hum… eu acho um pouco triste porque família grande é melhor, para mim. Mas, por que eles não fazem família grande? Isso é um problema da economia também. Se um casal faz três ou quatro filhos, tem que investir muito dinheiro, não é barato. É muito caro para viver bem. Uma boa escola é muito caro, qualquer coisa – qualquer coisa boa -, é muito caro. Então, os japoneses pensam nisso mais do que em ter uma família grande.

R Vamos falar sobre seu trabalho como tatuador. Onde você busca inspiração?

Ken Muita coisa. Tudo tem um significado, uma parte boa. Então, eu posso pegar inspiração de qualquer coisa. Mas eu também leio livros, revistas, faço pesquisa. Faço pesquisa sobre desenho, arte, sobre história, sobre tribos… Eu desenho e estudo muitos padrões, como padrões de círculo, triângulo, e estudo como eles se harmonizam. Muitas vezes também leio coleções de história da arte, de história da tatuagem, da arquitetura. E também o trabalho dos amigos me inspira.

R E o seu estilo é tatuagem tribal.

Ken Sim, tatuagem tribal, só linha preta, sem sombreado. O único problema aqui no Brasil em relação a tatuagem tribal é que as pessoas chamam tatuagem tribal de maori. Mas maori é um estilo de uma tribo de uma ilha da Nova Zelândia. Tem muitos estilos tribais na Nova Zelândia, maori é um estilo.

R Você estudou com esse tatuador nipo-brasileiro por quanto tempo?

Ken Mais ou menos três anos. Mas eu não podia perguntar para ele sobre tatuagem. Ele é muito interessante, ele tem um jeito de ensinar japonês. O artista japonês não fala muito, só mostra. Então, os estudantes precisam entender olhando, observando.

“O artista japonês não fala muito, só mostra. Então, os estudantes precisam entender olhando, observando.”

R Fora tatuagem, tem outra coisa que seja muito importante para você?

Ken Se tem algo importante fora tatuagem? Bom, tudo é importante para mim (risos) Para mim, muitas coisas são importantes. Claro que tatuagem é muito importante. Mas família também é muito importante. Eu não consigo colocar na balança porque tudo é igual para mim. Para mim, tudo tem a forma de um círculo.

R Como assim?

Ken Por exemplo, família, meu corpo, minha saúde, trabalho, dinheiro, qualquer coisa tem forma de círculo. Então, eu não posso pegar só uma parte, eu não posso colocar só uma parte na balança. Entendeu? Tudo é importante para mim. Então, a forma parece círculo. Tudo é importante para mim. Família, amigos.

A visão de um tatuador japonês sobre as diferenças culturais entre o Japão e o Brasil cobra

R Tem algum artista ou tatuador que você recomenda?

Ken Ah, eu recomendo o Takuma Kitagawa (tatuador japonês também residente em São Paulo)! Acho ele incrível. Ele tem um talento especial para arte e para tatuagem. Outros artistas, é claro, daqui do estúdio Zero Sen, tem gente muito boa. O Fame, que tem uma ótima técnica de tatuagem, desenho. O Léo Neguin é mais focado no estilo de tatuagem americano tradicional, é um desenho delicado e acho o colorido dele diferente, ele sempre faz escolhas interessantes de cor para a composição. Fred, aquele que fala japonês muito bem, ele foca em tatuagem cinza/preto. Agora ele está crescendo muito, ele está fazendo desenho para a Sumemo e MCD, marcas de roupa. Shaman também bom, faz caligrafia, preto-e-branco também, oriental. Ele tem bastante experiência. Outro artista que gosto é… Eu queria ter conhecido o Oscar Niemeyer! Ele morreu no ano passado… Grande arquiteto. Fui ao Copan a convite de um amigo e achei muito legal, muito especial.

R E a Tomie Ohtake?

Ken Não gosto, mas respeito porque tem muita história e experiência, mas não gosto do estilo. Outro artista que gosto é o Mori-san (Kazuhiro Mori, pintor brasileiro radicado no Japão) (risos)

R Ah, o Mori-san! Você gosta dele mesmo, né!

Ken Sim, a arte dele é abstrata…

R E você conhece a galeria de arte Deco? É só de japonês.

Ken Sim, só japonês. É legal. Conheço o Wakabayashi-san de lá, também gosto da arte dele.

R Falando em galeria, você pode falar de lugares de São Paulo que você gosta ou recomenda?

Ken Eu gosto da Paulista, dos Jardins. Gosto de museus também. Pinacoteca, MASP. Parque Ipiranga, Ibirapuera… Também gosto de Pinheiros, acho tranquilo e bonito.

R E para comer? Tem algum lugar que você gosta?

Ken Sim, eu gosto do Bueno.

R Bueno? Fechou!

Ken Não! Não fechou, ele continua em outro lugar. O da Liberdade fechou. Agora é atrás da avenida Paulista, metrô Brigadeiro. Lá eu gosto de comer “nabemono” (sopa japonesa com legumes e carne). Restaurante Asuka, de lámen, lá da Liberdade, também gosto.

R E você pode falar algo positivo de São Paulo e algo negativo?

Ken Positivo é que é fácil de fazer amigos. As pessoas gostam de tatuagem aqui, então isso é muito positivo. Aqui também tem bastante japonês, nissei, sansei, também acho positivo. E também bastante companhia japonesa está chegando aqui em São Paulo, então acho isso bom.

R Mas ter companhias japonesas chegando aqui afeta você?

Ken Porque muitas empresas não só japonesas, mas também de outros países têm chegado aqui, a cidade está crescendo. Acho que isso é positivo para São Paulo.

R E ponto negativo?

Ken Ah… Talvez o sistema do Brasil! O sistema do Brasil é muito ruim. Isso é muito negativo. Outro dia, tive um grande problema com a Eletropaulo. Fiquei sem energia elétrica, liguei para eles e eles me disseram que viriam. Fiquei esperando no horário combinado, mas eles não vieram. Liguei de novo, eles falaram que viriam até às 22h e eu fiquei esperando. Mas não vieram. Então, eles mentiram duas vezes. Não gostei disso.

R Sinto muito por isso. Ônibus também, às vezes a gente corre atráse às vezes está muito cheio.

Ken Sim, verdade. Geralmente, eu acho brasileiro muito simpático, atencioso. Mas às vezes as pessoas não têm empatia. Por exemplo, teve uma vez que eu peguei ônibus e o cobrador não tinha troco para mim. Ele me falou para descer do ônibus e trocar o dinheiro. Mas quando eu desci, o ônibus foi embora. No Japão eu nunca vi isso. Porque lá as empresas trabalham muito os funcionários (dão muito treinamento) para atenderem ao cliente. Para que os funcionários não passem sentimentos ruins aos clientes. Eles ganham dinheiro dos clientes, não é?

R O brasileiro mostra mais os sentimentos. Por exemplo, mau humor.

Ken Sim, você já me perguntou sobre diferenças entre brasileiros e japoneses. Japonês, geralmente, só mostra beleza. Brasileiro mostra tudo. Às vezes, eu não sinto profissionalismo no Brasil.

R Isso é algo recente. Hoje que isso de treinar funcionários começou, mas é difícil de mudar porque o brasileiro não tem a cultura de estudar.

Ken É verdade.

R Ken, a última pergunta. Você tem alguma coisa para falar para algum artista ou tatuador iniciante?

Ken HumO que é importante é saber se você gosta. Eu gosto muito de tatuagem, gosto muito de design. Então, posso continuar, consigo ter paciência para me esforçar. Para fazer qualquer coisa, é preciso ter paciência. Se eu não gosto de uma coisa, não consigo ter paciência. Então, acho muito importante saber do que se gosta.

“O que é importante é saber se você gosta. Eu gosto muito de tatuagem, gosto muito de design. Então, posso continuar, consigo ter paciência para me esforçar. Para fazer qualquer coisa, é preciso ter paciência. Se eu não gosto de uma coisa, não consigo ter paciência. Então, acho muito importante saber do que se gosta.”

R É importante a pessoa fazer o que gosta porque, quando tiver problemas, vai ser por algo que gosta.

Ken Sim, sim. Por isso, saber se gosta é muito importante.

R Muito obrigada!

Ken Obrigado!

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