Como Superar Uma Crise de Modo Elegante com As Irmãs Makioka, de Tanizaki

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Capa

“Se não fosse pelas sombras, não haveria beleza.” Jun’Ichirô Tanizaki em AS IRMÃS MAKIOKA, considerado o “o maior romance japonês do século XX”.

Já ouviu falar nesse romance?

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O autor dele é o escritor japonês Jun’Ichirô (Junichiro) Tanizaki (1886-1965), famoso por ser um tarado, ops, um escritor que relata as mais íntimas fantasias/fetiches/jogos de amor de seus personagens. Mas nesse livro, ele não relata nada disso.

Na verdade, As Irmãs Makioka uma das obras mais singelas que já li. Fala sobre uma família japonesa  classe média alta que entra em decadência durante a 2ª Guerra. O engraçado é que apesar de a história se passar durante a Guerra, pouco se fala dela. Os personagens seriam algo como os nossos “coxinhas“: vivem alienados e só percebem que tem algo errado quando começa a faltar recursos para eles.
Mas, apesar do nariz empinado desses personagens, eu acabei me afeiçoando a eles porque eles são humanos, né? Têm sonhos, frustrações, amores, ciúmes. O jeito como o Tanizaki retrata eles é que é bonito.

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As Irmãs Makioka são quatro irmãs, cada uma com sua personalidade. Faz parte da família também alguns maridos, namorados, pretendentes e filhos, mas são apenas coadjuvantes na verdade. A história é levada pela força e charme das irmãs e até das outras mulheres da trama, como uma casamenteira ou uma professora. Me interesso muito por esse tipo de representação do feminino como protagonista de um modo tradicional, sem grandes alardes. Não que as Irmãs não tenha as ovelhas negras. Tem sim duas mais moderninhas, a Taeko e a Yukiko.

E a cereja do bolo é a Yukiko, uma das irmãs que é toda come-quieto: todo mundo quer que ela se case, mas ela no fundo não quer. Então, ela vai manipulando a galera daquele jeitinho bem delicado e educado que você sabe que é típico dos japoneses.
Em época de crise, temos oportunidades para nos desenvolvermos, abandonando nossos velhos eus.
Os personagens desse livro passam tanto por crises internas quanto externas.
Esse livro me veio à cabeça hoje assim, pensando nas guerras, nas crises, no desespero. E que também existe beleza no mundo. Pra mim, As Irmãs Makioka é sobre isso.
Em momentos de crise, somos apresentados a lados que desconhecíamos… Como cada um lida com isso que é a questão.

Outro ponto de destaque é modo com que Tanizaki retrata a vida em sociedade. Acho que em todas as sociedades do mundo acontece o fenômeno de as pessoas dizerem uma coisa, mas pensarem outra. Claro que todos nós interpretamos vários papéis sociais. E Tanizaki mostra isso de modo elegante:

– Mamãe, a senhora já viu aquela galeria? – perguntou Etsuko quando o carro se aproximou do jardim externo.

– Claro que sim. Não me trate como uma provinciana visitando Tóquio pela primeira vez, está bem?

Apesar de ter dado essa resposta à filha, Sachiko não conhecia Tóquio tão bem assim.

A versão brasileira dessa obra tem nada menos do que 741 páginas e foi traduzida por nada menos do que 4 professoras de japonês da USP e outras faculdades importantes do País, pra você ter uma noção da dificuldade que é a língua japonesa (rsrs)

Censurado durante a Segunda Guerra Mundial “por não ser uma literatura adequada para os tempos de guerra”, esse livro trata como poucos dos conflitos entre Ocidente/Oriente, homem/mulher, sociedade/indivíduo e tradição/modernização.

Recomendo As Irmãs Makioka para quem quiser se aprofundar nesses tópicos  através de uma literatura de ótima qualidade.

Curiosidade: Tem uma adaptação para cinema feita pelo diretor Kon Ichikawa que, segundo uma das tradutoras desse livro, tirou a graça da narrativa do Tanizaki porque no livro não existe um conflito grande, é mais um sensação de melancolia. E o diretor, para deixar a história mais movimentada, fez uma das irmãs ter um caso com um dos cunhados.

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Outra curiosidade é que saiu um filme do Hirokazu Koreeda chamado Nossa Pequena Irmã, que também retrata o cotidiano de 4 irmãs, mas na atualidade. Ainda não vi, mas o Koreeda sempre vale a pena (na minha experiência).

Bom, esse foi um post rápido para falar sobre como a crise traz crescimento. O Tanizaki merece um texto muito melhor sobre ele e sua obra.

Se você se interessou pelo livro As Irmãs Makioka, clique aqui para mais informações.

 

 


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kamira

 

 

 

 

 

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